Um cérebro fora de série

09.10.2020  |    259 visualizações

Lucas Barbosa, nosso número 1 no ranking da FIG na Ginástica Aeróbica, apresenta condições físicas e mentais bem distantes do padrão convencional

Da Redação, São Paulo (SP) - Não é preciso assistir a um vídeo de Lucas Barbosa para concluir que o brasileiro que ocupa a liderança do ranking internacional da FIG de Ginástica Aeróbica tem um corpo privilegiado. Afinal de contas, ele ocupa a liderança do ranking internacional da FIG de Ginástica Aeróbica, nunca é demais repetir. De quebra, o ginasta mineiro forma com Tamires Silva a dupla mista que está na segunda colocação nessa listagem. Ninguém consegue escalar essas classificações sem ter muita flexibilidade, agilidade, força e resistência. Mas é preciso conversar com ele e com sua treinadora, Katia Lemos, para saber um pouco mais sobre esse grande nome da modalidade. E aí não se fica menos impressionado: além de ter todos os atributos físicos e de apresentar muita coordenação motora e expressividade, Lucas foi presenteado com um cérebro incomum também.

“O Lucas tem um talento físico que Deus deu. É dotado de força explosiva, de força dinâmica e de uma capacidade expressiva raras. Mas uma das coisas que mais me impressionam nele é sua memória motora. Estudos científicos comprovam que um treinador pode passar várias informações sobre a necessidade de correções posturais numa série, mas os atletas são capazes de reter apenas três informações na memória. Já o Lucas, se eu passar dez informações, ele é capaz de guardar tudo. Posso dizer-lhe, por exemplo, para contrair o abdome, flexionar a perna, mover o pescoço...e mais umas sete orientações: ele memoriza todas elas. E não para por aí: sabe de cor todas as rotinas de todos os atletas do nosso grupo, inclusive as antigas”, relata Katia.

O dono desse processador de dados feito de massa cinzenta tem também o que chama de ouvidos muito bons. Segundo Katia, dois meses num estágio de treinamento em Clermont-Ferrand (onde se localiza uma das pistas mais desafiadoras da história da Fórmula 1) foram suficientes para que o atleta voltasse de lá falando com fluência o francês. “Sem nunca ter estudado de forma convencional, apenas ouvindo músicas e conversando com nosso preparador físico, ele já tinha chegado a um estágio bem avançado no inglês, com pronúncia muito boa, e o mesmo ocorreu com o domínio do espanhol”.

“Acho que tenho predisposição para aprender. É um dom mesmo. Cresci com isso”, diz o número 1 do mundo, que tem 26 anos.

Durante os longos meses em que perdurou a obrigatoriedade de se manter distante do ginásio da Universidade Federal de Minas Gerais, onde se prepara, Lucas tratou de curtir um hobby. “Fiz um curso de DJ e pude praticar algumas coisas. Pedi aparelhagem emprestada de amigos e aproveitei parte do tempo assim”.

A maior parte do tempo foi empregada na tentativa de manter a forma física no melhor ponto possível. “A gente conseguiu fazer tudo certinho. Aquele processo de trabalho, de treinos on line, comandando pela CBG, capacitou a gente para a preparação de forma virtual. Como treinadora, eu me sinto muito feliz por termos atravessado tão bem esse período desafiador”, diz Katia.

Na terça-feira (13), Lucas vai escutar todas as orientações de Katia, em seu retorno ao ginásio da UFMG – e sua memória prodigiosa vai arquivar quase tudo. Em maio de 2021 haverá o Mundial de Ginástica Aeróbica, em Baku, no Azerbaijão – se a situação do país, que vive um período de conflito, permitir. Antes disso, em março, em Cantanhede, Portugal, será realizada uma etapa da Copa do Mundo. “Sempre pegamos pódio lá. É um lugar que me traz boas recordações”.

É com energia renovada que Lucas retoma os treinamentos no padrão convencional, pré-covid-19. “Estou muito empolgado com essa oportunidade de voltar ao ginásio. Foi bom treinar em casa, mas não aguentava mais. Preciso de espaço e da presença dos colegas, porque também disputo provas compostas e dependo dos outros”. E que ninguém se espante se esse jovem voltar de Baku falando um monte de frases em azeri.

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