Mário Nunes planeja construir futuro glorioso na Aeróbica

04.11.2020  |    91 visualizações

Ginasta paraense capricha nos treinos de balé, aspirando a progressos em competições internacionais

Da Redação, São Paulo (SP) - Grandes sucessos nasceram de forma improvisada. É o caso de “Under Pressure”, produto de uma jam session em Montreux com David Bowie e o Queen. O resultado da brincadeira foi um hit que alcançou, em 1981, o número 1 na parada britânica – a segunda vez, desde “Bohemian Rhapsody”, de 75, em que a popularíssima banda registrou essa façanha.

A história de Mário Nunes, considerado um nome de futuro na Ginástica Aeróbica por muitos especialistas, tem um enredo com um fator acidental também. Impossibilitado de dar continuidade aos treinos convencionais, devido a uma reforma no ginásio de Ginástica Artística da Universidade Estadual do Pará, Mário Nunes resolveu dar um pulo em outro ginásio, onde Maurício Ribeiro fazia seus treinos de aeróbica. “Fui fazer alguns movimentos de base no ginásio onde o Maurício treinava. Comecei brincando, fazendo os elementos que tinha. Foi aí que ele me convidou e comecei a praticar a modalidade”.

Ninguém poderia dizer que a decisão de enveredar pela Aeróbica foi equivocada. No mês passado, Mário viajou para Aracaju, ao Centro Nacional de Treinamento de Ginástica Rítmica. Bruna Martins, auxiliar de Camila Ferezin na comissão técnica da Seleção Brasileira de Conjunto de GR, deu-lhe um treinamento de balé – a finalidade é progredir na parte artística, e com objetivos ambiciosos: no dia 27 de maio terá início o Mundial de Baku, e a meta do jovem atleta, de apenas 24 anos, é ficar entre os 15 melhores do planeta. “A Bruna é a principal referência do balé no Brasil”, elogia Maurício. Antes, em março e abril, Mário vai participar de etapas da Copa do Mundo em Cantanhede (POR) e Tóquio, respectivamente.

“Em duas aulas, já notei um grande aumento da consciência corporal do Mário”, diz Bruna.

Mário não mede esforços. Este ano, passou um mês no México, em Saltillo, para treinamentos com Iván Veloz, que subiu ao pódio nas três edições mais recentes do Mundial, tendo conquistado o ouro individual em Cancún-2014 e o bronze em Incheon-16 (CDS) e Guimarães-18 (POR). “O Iván e a treinadora dele, Martha Rodríguez, são referências mundiais na Aeróbica. A Martha criou nossa série atual, que tem nível de dificuldade mais elevado e está totalmente compatível com o código de pontuação”, afirma Maurício.

Mário tem uma treinadora em São Paulo. Alexia Souza, ex-ginasta do Palmeiras que foi tetracampeã brasileira em trios, monta os treinos a distância. “Ele me envia vídeos. A gente se comunica diariamente e montamos os cronogramas, vendo o que podemos encaixar, trabalhando na prevenção de lesões e tudo o mais”.

O Mundial de Baku é classificatório para os World Games, a chamada Olimpíada das modalidades não olímpicas. A próxima edição está programada para 2022, no Alabama (EUA).

A comissão técnica que trabalha em torno de Mário projeta uma evolução constante e paulatina de seus resultados. O começo do atleta foi pra lá de animador. Depois de dar seus primeiros passos na modalidade, teve uma estreia diferente: participou de um Sul-Americano Juvenil, em 2013, na Colômbia, antes mesmo de disputar um Brasileiro. “Logo de cara consegui ser vice-campeão continental, e percebi: ‘tem alguma coisa aí’’, diz o jovem, que continua treinando e participando de competições de Ginástica Artística, e ainda dá aulas de Cross Fit.

Em seu primeiro Mundial, em Guimarães-2018, Mário registrou a 34ª colocação. “Eu não estava tão bem como estou agora. Tive uma experiência boa, precisava conhecer a estrutura, a forma como a gente é julgado num Mundial. Alguns árbitros chegaram a elogiar minha postura e minha ginástica”, recorda o paraense, que pretende construir boa imagem entre julgadores.

Graças à sua base na Ginástica Artística, Mário se garante quando o assunto são os atributos de força. A prioridade, doravante, é caprichar na parte artística – daí o entusiasmo com os treinos com Bruna. “Ela faz um trabalho excepcional”.

Apreciador dos ritmos cultivados no Pará – do carimbo ao calypso, passando pelo tecnobrega -, Mário não tem muitas brechas na agenda de atleta, trabalhador e estudante para curtir a dança de forma mais festiva. “Gosto de dançar, mas não sei”.

Como muitos atletas distribuídos pelo País, Mário sentiu-se acolhido pelo plano de treinamentos on-line desenvolvido pela CBG durante o período de isolamento social mais severo, imposto pela pandemia. “Aquelas atividades me ajudaram muito. Tivemos acesso a excelentes treinadores. A Confederação cuidou de tudo – a parte psicológica, palestras de marketing, uma série de coisas. Eu me senti mais motivado para continuar me dedicando, recebi elogios. Às vezes um feedback assim é fundamental para termos uma melhor noção do que podemos alcançar no esporte, olhar para o potencial que possuímos”.

 

 

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