Coreografia montada por fera da Bulgária empolga Natália

18.11.2020  |    93 visualizações

Autora da aclamada série de bola embalada por "Bandolins", em 2016, Mariana Vasileva assina novíssima coreografia da ginasta capixaba na fita

Da Redação, São Paulo (SP) - A reformulação do calendário esportivo, determinada devido à eclosão da pandemia, abriu uma janela de tempo que está sendo muito bem aproveitada por Natália Gaudio e sua treinadora, Monika Queiroz. As duas chegaram à conclusão de que precisavam de uma nova série de fita, e foram buscar assistência de uma fonte privilegiada, a búlgara Mariana Vasileva, que é, desde 2009, head coach de Ginástica Rítmica na Federação do Azerbaijão. A elogiada coreografia de bola que Natália apresentou na Rio 2016, ao som de “Bandolins”, de Oswaldo Montenegro, foi assinada por Mariana.

Vasileva treinava a azeri Marina Durunda, que conquistou a prata na fita nos Jogos Europeus de 2015 e o bronze no Campeonato Europeu, no mesmo ano, em Minsk, a capital de Belarus. No Mundial de Kiev-2013, a ginasta do Azerbaijão fora quinta colocada na final da fita.

“Observo o trabalho da Mariana há muito tempo e sou testemunha do sucesso dela”, diz Monika. No final de 2014, Vasileva e Durunda vieram a Santos, onde tomaram parte do II Curso Internacional de Ginástica Rítmica, e a amizade se estreitou.

“O mundo passou pra outra dimensão na fita, e precisamos acompanhar. Quando procurei a Mariana, para pedir que montasse nossa coreografia, receei que estivesse ocupada. Mas, na metade da conversa, ela já aceitou”, diz Monika.

Segundo Monika, a montagem transcorreu muito bem. “Entramos no Zoom para conversar e foi um processo fantástico. É uma série maravilhosa, não só pela beleza. Inclui movimentos muito difíceis e com grau altíssimo de execução”.

Natália está empolgada com a direção que o trabalho seguiu. “Procuramos a Mariana porque realmente queríamos algo marcante, diferente, bem bonito. Ela é uma técnica muito criativa. Buscamos um estilo totalmente diferente das últimas coreografias que eu estava fazendo. Elas tinham músicas mais alegres, uma coisa mais descontraída. Desta vez buscamos uma música mais forte e deu super certo. É um estilo que combina muito comigo. Amei a coreografia, tá maravilhosa, assim como a música. Vai ser uma surpresa que todos vão curtir bastante. Tô super-ansiosa pra mostrar”, diz a estrela capixaba.

Como de praxe, treinadores e atletas não gostam de antecipar a música que está sendo trabalhada. Segundo Monika, não é muito conhecida ou popular. Tem uma parte forte, seguida por um adágio em que são explorados movimentos mais lentos – um trecho mais sentimental – e o ritmo volta a se intensificar depois. “A ginasta não pode baixar muito a energia da série. Ela já começa com uma explosão.  Uma atleta sem muita qualidade não consegue mudar a energia, não consegue retomar depois”, explica Monika”.

Natália destaca que a arbitragem certamente vai analisar com carinho a série, sabendo que Vasileva está por trás da coreografia. “É uma técnica muito respeitada. Com certeza está agregando muito valor à minha coreografia. Vão olhar com outros olhos porque sabem que foi uma série montada por ela. É uma série totalmente nova, com movimentos bem diferentes e inovadores. Todo mundo vai estar aguardando pra ver como ficou o trabalho dela, esse nosso trabalho em parceria. Sabem que, da última vez em que trabalhamos juntas, o resultado foi maravilhoso e rendeu bons frutos.Será uma responsabilidade maior, lógico. Todos estarão esperando para ver como vai ficar, e isso é um incentivo maior pra poder chegar com tudo, com garra e força totais”.

O trabalho de montagem de uma coreografia é árduo, mas Natália aprecia essa caminhada. “É um período que me acrescenta muito em motivação. Adoro montar coreografia nova porque é um desafio diário. A cada dia você tá ali, tentando fazer uma parte nova da coreografia. Quando a gente monta coisas novas, costumamos dividir em três partes pra poder limpar a execução e realmente poder focar cada detalhe. Gosto desse tipo de treinamento do novo, de estar ali repetindo, repetindo até automatizar o movimento. É um processo um pouquinho demorado, mas muito bom. A cada dia que a gente vê uma evolução, que vê algo melhorando, sente-se melhor ainda, mais animado”.

Evitando lamentar as profundas alterações que a covid-19 provocou em seu dia a dia, Natália se atém ao lado bom desse processo. “Meus últimos meses de treinamento têm sido maravilhosos, graças a Deus. Vejo que estamos conseguindo evoluir bastante. Mesmo longe das competições, estamos fazendo um treinamento bem bom. Desde que voltamos de Portugal, estamos mantendo um ritmo bem legal e lógico que estou sentindo bastante falta das competições, mas acho que a gente tem que pensar pelo lado positivo. Ganhamos mais tempo pra correr atrás, pra poder trabalhar bastante e chegar na competição melhor ainda. Acho que a gente só ganhou. Procuro pensar dessa forma e quero aproveitar ao máximo todo o tempo que vamos ter pela frente pra poder chegar lá na competição no meu auge. Até lá tem um longo caminho a percorrer”.

     

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