Livres para saltar

08.10.2020  |    101 visualizações

Rayan Dutra e Alice Hellen retomam treinamento no trampolim do Minas Tênis Clube, sob o comando do treinador Alexandro Rungue

Da Redação, São Paulo (SP) - Seis longos, intermináveis e penosos meses longe do trampolim. Rayan Dutra, hoje com 18 anos de idade, nunca havia ficado tanto tempo afastado daquele que é seu instrumento de trabalho e de diversão ao mesmo tempo. O jovem talento mineiro, um dos nomes mais expressivos do Brasil na Ginástica de Trampolim, começou a praticar o esporte quando tinha apenas dez anos, no Minas Tênis Clube. Mas sua vida já estava ligada aos saltos bem antes disso.

Nos tempos de criança, quando o pai de algum amiguinho aniversariante alugava um equipamento de pula-pula, o pequeno Rayan passava a tarde inteira por ali. Ele pertence a uma fração dos brasileiros que deve ser quase insignificante estatisticamente – o conjunto daqueles que não gostam de bolo. “Lembro-me de cantar parabéns em cima do pula-pula. Eu não saía de lá nem para comer bolo, mesmo porque não gosto”.

Desde o dia 24 de agosto, Rayan Dutra e Alice Hellen, atletas orientados pelo treinador Alexandro Rungue, retomaram os treinamentos no ginásio do Minas Tênis Clube. Assim como os atletas de outras ginásticas, o pessoal do trampolim se manteve em atividade ao longo dos meses de isolamento severo praticando em casa exercícios físicos, incluindo aqueles voltados à prevenção de lesões. A CBG organizou sessões de treinos seguidas simultaneamente por muitos atletas em diversas regiões do país por meio de plataformas de áudio e vídeo. Houve atletas, como Caio Souza, da Ginástica Artística, que construíram aparelhos auxiliares, de maneira rústica, numa tentativa de simular alguns movimentos. No caso do trampolim, no entanto, foi impossível fazer algo na mesma linha.

“O trampolim é um aparelho muito sofisticado e grande. Não daria para eu me exercitar num pula-pula infantil, por exemplo”, diz Rayan.

Alice Hellen acredita que já progrediu bastante com os treinos em que utiliza o aparelho. “Diria que já reúno uns 70% da minha melhor forma. Não posso me precipitar. Temos que ir com calma, aumentando o nível de dificuldade dos movimentos aos poucos. Corpo e mente têm que trabalhar em harmonia”, diz a ginasta.

O momento agora é de treinar e buscar o aperfeiçoamento físico e técnico, mesmo sem uma competição-alvo em vista. No calendário da FIG, consta uma etapa da Copa do Mundo em 13 e 14 de fevereiro de 2021, em Baku, no Azerbaijão, que vive hoje uma situação conflituosa com a Armênia, envolvendo o encrave de Nagorno-Karabakh.

Com esse panorama indefinido, resta aos atletas a perspectiva de continuar trabalhando duro, em busca da recuperação. “Estamos seguindo todos os protocolos criados em função da pandemia, trabalhando com a máxima segurança. O momento agora é de fazer séries mais simples, visando a um processo de readaptação gradativo”, afirma Rungue.

 

 

 

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