Na base do ziriguidum: Bárbara quer causar impacto ao som do samba

30.12.2020  |    311 visualizações

Nova série de fita da vice-campeã pan-americana terá trilha com som bem brasileiro

Da Redação, São Paulo (SP) - Durante o tempo em que passou em casa, nos meses de isolamento mais severo, Bárbara Domingos resolveu retomar um velho desafio familiar: pegou o cavaquinho do irmão, um grande fã de samba e pagode, e tentou aprender a tocar o instrumento. Não deu certo. “É muito difícil”, diz a ginasta responsável pela melhor colocação do Brasil nas disputas no Individual Geral em Campeonatos Mundiais. No entanto, parece que estava escrito em algum lugar que 2020 seria o ano do definitivo encontro da ginasta paranaense com o samba. Esse será o ritmo da nova coreografia de fita de Bárbara, que foi vice-campeã dos Jogos Pan-Americanos de Lima nesse aparelho.

“Estou bem otimista. Todas as minhas séries estão muito fortes”, diz a ginasta, que vai tentar classificação no Pan-Americano da modalidade, que será disputado em maio, nos EUA.

A treinadora da atleta, Marcia Naves, diz que já há algum tempo havia essa ideia, de montar a coreografia de Bárbara com base no ritmo brasileiro. “A Babi já estava havia dois anos com a mesma série de fita e queríamos mudar, mas estava difícil encontrar um samba bom, que encaixasse. Aí decidimos encomendar uma trilha para um produtor musical. O trabalho está em curso. Contratamos uma professora de samba para nos ajudar. Achamos que tem tudo para dar certo. Afinal de contas, a Babi é a cara do Brasil”.

Graças a indicações, chegou-se ao nome do músico Marcelo Vig. Baterista de origem, ele integrou na década de 90 a banda Tantra. No Brasil, já trabalhou com Gilberto Gil, Lenine, Lobão e Marina. No exterior, tocou para Avril Lavigne, Eminem e Will Smith. A essa bagagem, Vig acrescentou uma vivência no mundo do esporte: foi o produtor musical do Pavilhão 4 do Riocentro durante as disputas do badminton. “Foi uma experiência muito bacana. O esporte é um evento para a família, e a gente precisa se comunicar com o mundo inteiro”.

A experiência com música eletrônica é um trunfo importante na formação do compositor. “O ritmo musical, no caso, o samba, é o que dará identidade para a coreografia da Bárbara. Mas o beat faz a conexão com o público internacional e com os jurados”, diz Vig, que já foi casado com uma coreógrafa e é parceiro em um núcleo de compositores especializados em criação sob demanda, por exemplo, para trilhas e comerciais – ele já foi premiado no Festival Massimo Troisi, na Itália, em 2003, e teve uma de suas músicas incluídas na MTV norte-americana, no seriado My Life as Liz.

Para a montagem da coreografia, foi convocada outra fera: trata-se de Rhony Ferreira, que assina a coreografia que consagrou Daiane dos Santos no Mundial de Anaheim em 2003, ao som da salsa Para Los Rumberos, e aquela com que a gauchinha colecionou diversas medalhas em etapas da Copa do Mundo, embalada por Brasileirinho.

“A montagem de uma trilha sonora é uma cirurgia: a gente precisa cortar aqui, puxar ali. E desta vez tive que pedir as coisas ao produtor remotamente, o que adicionou complexidade”, diz Rhony.

À medida em que o trabalho vai tomando forma, toda a equipe de profissionais reunida vai constatando que a escolha do ritmo foi certeira. “Montar uma trilha significa vestir de música os movimentos de uma ginasta. Essas grandes competições, como Mundiais, Jogos Pan-Americanos e Olimpíadas são uma janela aberta para o mundo. Temos a oportunidade de mostrar nossas raízes, nossa cultura. Como temos uma ginasta capaz de sambar, sorrir e empolgar, por que não usarmos tudo isso a nosso favor? Teremos uma coreografia que vai casar bem com as características da personalidade da Bárbara. E o collant dela vai lembrar uma roupa de passista de escola de samba, remetendo ao nosso Carnaval”.

Por falar em escola de samba, a bateria da Enamorados do Samba, campeã do Carnaval de Curitiba em 2020, vai participar da gravação da trilha. Quando tudo estiver pronto, a série deverá sacudir. “Essas nossas criações vêm sendo bem aceitas pela comunidade da Ginástica. A gente consegue sair da mesmice que todo mundo apresenta. Antigamente, fazíamos tudo calcado nos cânones do Leste Europeu. Agora estamos expressando nosso jeito de ser, nossa cultura”, diz Rhony.

 

 

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